Você se considera um dependente emocional?

Se pudermos resumir o anseio do dependente emocional, será: eu preciso que alguém cuide de mim!

A dependência emocional[1] se observa quando “a constante presença, carinho, atenção, aprovação ou apoio de outra pessoa é considerada indispensável para a nossa segurança, bem-estar e conforto pessoal. Em outras palavras, quando nosso valor, paz de espírito, estabilidade interior e felicidade estão ancorados em uma pessoa e na reação dessa pessoa para conosco, estamos emocionalmente dependentes”[2].

Estas características, (presença, carinho, atenção, aprovação, apoio, entre outras), integram qualquer relacionamento, porém, neste em específico, há uma imperiosa necessidade, por parte do dependente, de ser nutrido constantemente por elas, para que se sinta seguro, confortado, estável, feliz, em paz e com sentimentos de mais valia.

Doravante, se pudermos resumir o anseio do dependente emocional, será: eu preciso que alguém cuide de mim!


E a codependência, do que se trata?

Trata-se da compulsão de cuidar e controlar o outro. O codependente necessita do dependente para se sentir valioso, útil, aprovado, necessário. Para isso, não mede esforços, cuida e sacrifica-se por ele. Mede seu valor pelo tamanho do sacrifício que faz e com isto preenche suas dificuldades de entrar em contato com seu próprio mundo.

O anseio do codependente, portanto será: eu preciso cuidar de alguém!

Tanto a dependência quanto a codependência podem se apresentar em qualquer tipo de relacionamento, pois não diz respeito ao vínculo em si, mas ao indivíduo cuja personalidade se estruturou com alguma destas configurações.

As possibilidades de origem remontam à infância. John Bolwlby[3] assevera que as relações afetivas iniciais são as experiências emocionais mais intensas que o ser humano pode ter e muito da nossa personalidade, que envolve autoconceito, autoestima, senso de segurança, amor próprio, valor interno, confiança em si e no outro, é influenciada pelas primeiras ligações emocionais que fazemos. O autor realça a importância de observar se nos primeiros anos de vida havia alguém responsável não apenas pelos cuidados básicos da criança, mas também pelo desenvolvimento de seus vínculos.

“Crianças que não tiveram essa experiência, veem o mundo como desconfortável e perigoso; têm dificuldade em sentir alegria, porque não se sentem a salvo e seguras; consideram-se pessoas incapazes de estima e amor, desenvolvendo ligações de ansiedade e insegurança, procurando de maneira desesperada figuras de ligação; ficam extremamente dependentes dos outros, buscando confirmação de que não serão abandonadas, e, quando adultas sentem-se ridículas e fracas por serem assim tão dependentes.”[4]

“Tanto a dependência quanto a codependência podem se apresentar em qualquer tipo de relacionamento, pois não diz respeito ao vínculo em si, mas ao indivíduo cuja personalidade se estruturou com alguma destas configurações”


Quais as características desses relacionamentos?

Além das mencionadas, chamamos atenção para o ciúme e possessividade excessivos, a adoção de manipulação para manter o outro atado, tendências a aceitar qualquer coisa dentro do relacionamento por medo da solidão, (inclusive violência física e psicológica), abandono da vida pessoal e de outros relacionamentos para viver a vida e os gostos do parceiro, relacionamentos intensos do tipo “tudo ou nada”, controle excessivo pela vida do parceiro.

Embora os relacionamentos dependentes sejam marcados pela anulação da identidade, prisão e sufocamento, o indivíduo que os vive tem a convicção intrínseca de que encontrou em uma pessoa a resposta fundamental para seus anseios, necessidades e desejos essenciais fazendo do outro um ídolo.

Se você se identificou com esse texto, busque ajuda! Primeiro em Deus[5], depois em amigos de confiança, aconselhamento ou terapia. Solte a relação de dependência e apoie-se em Jesus. Retome sua caminhada rumo ao amor próprio e a autonomia. Creia que o nosso Deus, segundo Sua riqueza, há de suprir, em Cristo, cada uma de suas necessidades.[6]

(Texto publicado pela revista Comunhão em 11/09/2018)


Débora Fonseca é graduada em direito e psicologia, membro da Igreja Presbiteriana em Jardim Camburi e coordenadora do Ministério Luz na Noite.


Referências
[1] dependência afetiva; dependência do vínculo; dependência patológica ou simbiótica com o outro; dependência psicológica; dependência interpessoal; comportamento adictivo; intoxicação psicológica; ou droga do amor;
[2] Bob Davies e Lori Rentzel, Restaurando a Identidade, Ed. Mundo Cristão
[3] Edward John Mostyn Bowlby, psicólogopsiquiatra e psicanalista britânico, notável por seu interesse no desenvolvimento infantil e por seu trabalho pioneiro na teoria do apego.
[4] Formação e rompimento dos laços afetivos. Editora Martins Fontes.
[5] Salmos 32.3-5
[6] Fil. 4.19

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